Há tratamento para Síndrome de Down?

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CIÊNCIA

Por Ricardo Lima Caratti.

Em uma recente pesquisa realizada na Universidade de Bologna, Itália,  camundongos geneticamente modificados para simular a Síndrome de Down foram tratados em seus primeiros dias de vida com fluoxetine (uma droga antidepressiva). Após testes cognitivos realizados com esse camundongos, observou-se notória melhora de desempenho se comparados a camundongos que não receberam o tratamento. Como em qualquer pesquisa, os resultados observados devem ser analisados cuidadosamente até que se torne de fato algo concreto e seguro para ser usado em humanos. No entanto, é animador saber que a ciência evoluiu muito no campo da Síndrome de Down nos últimos 5 anos.

Os textos contidos neste artigo tem o caráter apenas informativo. Conforme dito anteriormente, trata-se de uma pesquisa ainda não conclusiva. O DFDown não recomenda o uso de nenhum medicamento para pessoas com Síndrome de Down, tampouco se responsabiliza pelo conteúdo apresentado neste artigo.  Leia a nossa Política de Privacidade e Termo de Uso  do nosso website para mais esclarecimento.

Este artigo é uma tradução livre de um texto em inglês publicado no site The DANA Fundation. A matéria na integra pode ser lida no link http://www.dana.org/news/features/detail.aspx?id=28854. Diante mão, o editor deste artigo pede desculpas por eventuais erros de tradução ou entendimento do tema. 

A Síndrome de Down causa o desenvolvimento anormal do sistema nervoso e, conseqüentemente, interfere em muitos aspectos na formação intelectual de pessoas com Síndrome Down. Por esta razão, acredita-se que não há tratamento para essas pessoas. Porém, pesquisas realizadas em camundongos gerados em laboratórios com alterações genéticas que simulam a Síndrome de Down demonstraram que o uso de algumas drogas podem tratar com sucesso deficiências que prejudicam o processo cognitivo desses camundongos. Um estudo publicado em 30 de Junho de 2010 no Jormal de Neorociência “Journal of Neuroscience” , por exemplo, indica que Prozac (fluoxetine), ministrados nesses camundongos logo após o seu nascimento, reverteu a causa da anomalia e possibilitou um desenvolvimento padrão, cujo desempenho pode ser comparado a de um camundongo geneticamente normal.

Em humanos, a Síndrome de Down inicia com distúrbio genético causado pela presença ou cópia extra de cromossomo 21. Em camundongos, uma cópia extra de cromossomo 16 resulta, na prática, em características muito próximas ao cromossomo 21 extra em humanos no que tange, principalmente, na falta parcial da " neurogenesis", processo pelo qual os neorônios são gerados e que é fundamental para o desenvolvimento normal do cérebro. Algumas drogas antidepressivas como o fluoxetine são conhecidas como agentes que promovem a " neurogenesis". Diante disso, a pesquisadora Renata Bartesaghi da Universidade de Bologna, ministrou fluoxetine em um grupo de camundongos com cromossomo 16 extra,  do terceiro dia até o décimo quito dia após o nascimento e então comparou a um grupo de camundongos também com cromossomo 16 extra, mas, sem uso de fluoxetine. Esse experimento mostrou que o nível de " neurogenesis" no grupo de camundongos tratados com fluoxetine ficou igual ou maior do que os observados em camundongos geneticamentes normais (sem o cromossomo 16 extra). Já no grupo de camundongos que não foram tratados com fluoxetine, o nível de " neurogenesis" foi muito menor que o padrão considerado normal. Observou-se também que os camundongos tratados com fluoxetine possuíam uma quantidade normal de células em uma região do cérebro responsável pela função da memória, o hipocampo, onde a " neurogenesis" é particularmente intensa em humanos e que continua durante toda a sua vida adulta (maioridade). Em testes de memória realizados em um local específico fortemente relacionado ao hipocampo, os camundongos tratados com fluoxetine tiveram desempenho tão bom quanto aos camundongos geneticamente normais.

Esse estudo aparentemente corrobora com outra pesquisa realizada em 2006  liderada pelo Dr. Alberto Costa na Universidade do Colorado Denver (http://www.ucdenver.edu/about/newsroom/newsreleases/Pages/SchoolofMedicineResearchAwardDownSyndrome.aspx). Dr. Alberto Costa é pesquisador na área de Medicina e Neurociência, divisão de Farmacologia Clínica e Toxicologia da Universidade do Colorado e tem dedicado sua carreira em pesquisas em Síndrome de Down.  É uns dos poucos cientistas na atualidade que vem transferindo seus estudos em camundongos para testes em pessoas com Síndrome de Down com o propósito de melhorar suas habilidades intelectuais. Ele tem uma filha com 13 anos de idade com Síndrome de Down. Para saber mais sobre o pesquisador Dr. Alberto Costa clique aqui.

Renata Bartesaghi é pesquisadora na Universidade de Bologna e tem vários trabalhos publicados, dentre eles:  "Alteração do ciclo Celular e diminuição da proliferação das células na região do hipocampo em indivíduos com Síndrome de Down". Para saber mais sobre os trabalhos publicados clique aqui

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